sábado, 21 de março de 2015

"MISSÃO CUMPRIDA"


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Hoje cumpri uma promessa que tardava em ser concretizada. Fui ao NÚCLEO CULTURAL JOSÉ AFONSO, vulgarmente conhecido por Biblioteca Municipal da Moita, oferecer um exemplar do meu livro "DO TEJO AO ROVUMA". Restam-me ainda dois exemplares que irei oferecer ao ARQUIVO HISTÓRICO MILITAR e ao INSTITUTO GEOGRÁFICO DO EXÉRCITO, pela colaboração prestada na pesquisa efectuada para a conclusão da referida obra. Para além da oferta à LIGA dos COMBATENTES mas também porque sempre fiz questão de o fazer, foram também oferecidos exemplares na altura do seu lançamento, a cada um dos familiares dos meus companheiros da COMPANHIA DE CAÇADORES 3309 falecidos em combate, ao serviço de uma pátria que lhes foi madrasta, num conflito colonial de má memória. Concluída esta "última missão", informo que quem quiser adquirir um exemplar do livro "DO TEJO AO ROVUMA" deverá contactar a editora EUEDITO (geral@euedito.com).

sexta-feira, 20 de março de 2015

Carta ao amigo Joaquim Coelho

       
                                   

 Caro amigo Joaquim Coelho

 Recebi agora mesmo uma mensagem em seu nome em que dizia que o meu pedido de adesão ao grupo Picadas de Cabo Delgado tinha sido aceite. Não sei se sabe, eu já pertenci a esse grupo (no qual gostava bastante comentar, dado que também estive em Moçambique - Cabo Delgado (1971-1973) mas porque a minha permanência ali e porque o ambiente se estava a tornar insustentável em termos de participação e respeito pela livre opinião de cada um se estava (e continua) a deteriorar, decidi sair.
Este mau ambiente relacionava-se com atitudes menos correctas por parte de um dos seus administradores desse grupo, que impunha os seus pontos de vista, não aceitando opiniões diferentes, chegando ao ponto de me excluir desse grupo sem consultar os restantes administradores, situação que ocorreu em paralelo com a minha decisão de sair.
Não sei em que contexto é que foi aceite a minha entrada de novo no grupo, dado que não fiz qualquer novo pedido de adesão.
Em todo o caso, fico contente por da sua parte ter manifestado interesse na minha adesão, mas antes de o fazer gostaria de saber o seguinte: 1. Se esse senhor (sabem perfeitamente a quem me estou a referir) ainda é administrador do grupo.
2. Se ainda o é, pergunto se ele vai continuar a não aceitar opiniões diferentes (embora as possa criticar e apresentar os seus pontos de vista contrários, como é óbvio), contrariamente ao que acontece em outros grupos de ex-militares onde o ambiente é muito mais democrático e onde se prima pelo respeito e pela diversidade de opiniões sem se recorrer ao “lápis azul”.
  Se assim for, eu não estou disponível para aderir de novo ao grupo, pois não estou com paciência para continuar a aturar (de uma forma depreciativa) tantas manifestações colonialistas, nem conviver com “falsos heroísmos pseudo-patrióticos” que ignoram e até desprezam a vontade dos povos colonizados em assumirem a sua autodeterminação e independência, preconizando uma solução neocolonial onde os privilégios coloniais se manteriam.     
Para que tenha conhecimento e se for consultar os meus comentários nesse grupo, irá reparar que eu nunca ofendi ninguém nem faltei ao respeito a quem quer que seja.
As minhas divergências com esse senhor (que são do meu ponto de vista salutares e que promoviam uma discussão interessante, mas num ambiente totalmente diferente daquele) prendiam-se com;
¾ A concepção que cada um de nós tinha sobre as características daquele conflito e do seu conceito sobre se era uma Guerra Colonial ou Guerra do Ultramar;
¾ Sobre o papel que Portugal desempenhava em África;
¾ Sobre o comportamento das nossas tropas e da FRELIMO no teatro de guerra e se esta organização era (ou não) uma organização terrorista ou um movimento de libertação, que sempre considerei ser;
¾ Sobre o comportamento de algumas tropas ditas de "elite" para com os abusivamente e depreciativamente tratados por aqueles de "tropa macaca", numa clara manifestação de tacanha vaidade e de “pseudo-superioridade moral”;
¾ Sobre a questão de classificar (ou não) de traidores aqueles que desertaram para escapar ao conflito colonial, dado que para estes (contrariamente aos outros) participar naquela guerra nada tinha de patriótico nem a ver com os seus conceitos e valores de defesa da pátria;
¾ Mas também sobre a legitimidade do 25 de Abril (que constantemente alguns – na sua grande maioria contestavam) e da forma como se desencadeou todo o processo de descolonização, onde vulgarmente se classificavam (e ainda se classificam) os seus protagonistas de traidores.
São de facto pontos bastante polémicos mas muito importantes para se debater em espaços como estes grupos (mas sempre ignorados ou ostracizados) que vão muito para além da organização de "petiscos" (que são óptimos e excelentes momentos de convívio) ou comentar no grupo meras “larachas ou vulgaridades” sem qualquer contexto histórico ou social, o que por vezes acontece nesse grupo (e na maioria – felizmente nem todos - dos grupos onde se comentam questões relacionadas com a Guerra Colonial) do qual me desvinculei. Portanto amigo, antes de eu começar a comentar de novo no Picadas de Cabo Delgado gostaria que me esclarecesse os pontos a que me refiro neste texto, e se estes assuntos que descrevi continuam a ser proibitivos (só para alguns, mas livres para outros que utilizam o seu “poder autoritário”) de serem comentados.

 Os meus agradecimentos.

Um abraço.

Alhos Vedros, 19 de Março de 2015

Carlos Vardasca

PS: Desculpa lá amigo. Depois de uma pesquisa que fiz, verifiquei que esse grupo nada tem a ver com aquele a que me referi no texto. Em todo o caso, agradeço desde já o teu convite que muito me lisonjeia, embora tivesse reparado que esse grupo se chama também Picadas de Cabo Delgado (nome idêntico ao outro de má memória) e que as suas postagens são quase exclusivamente e mais relacionadas com os ex-militares que estiveram no conflito colonial, mais concretamente em Angola.

terça-feira, 17 de março de 2015

"Uma breve crónica de Pateira de Fermentelos" (7 de Março de 2015)


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Uma breve crónica de Pateira de Fermentelos

Pateira de Fermentelos, aos sete dias do mês de Março do ano de dois mil e quinze
Almoço/convívio CCAÇ,3309-Bcaç. 3834
A semana começara chuvosa e triste, nuvens pardacentas infestavam os céus e nada de bom augurava para o nosso convívio. Felizmente a cara do tempo transformou-se e fez-se sol radiante. O Encontro, na questão do tempo, iria ser um sucesso. E foi…
Na foto de grupo, todos solicitavam celeridade ao repórter fotográfico. O sol batia nas testas carecas da maioria dos convivas.
Não tivemos celebração eucarística devido a problemas pessoais e inadiáveis do nosso Capelão, mas todos os camaradas falecidos foram recordados em cerimónia simples e deveras emotiva.
Oitenta e duas pessoas nas quais estavam incluídos ex-militares, familiares e amigos, fizeram a festa anual de confraternização. O sorteio teve várias ofertas, que serviram de prémios. E que prémios!...
Depois, deslocamo-nos à discoteca para alegremente bailarmos e saborearmos o bolo de aniversário regado com o delicioso vinho espumoso da região.
E o Martins?...quem diria…foram um par de bailarinos natos…
A apresentação do bolo foi magnífica. O Serrinha, a Pilar, o Diamantino e a Carla, vestidos a rigor, brindaram-nos com um espetáculo deveras engraçado e delirante. Foi um dos pontos altos deste convívio. 
Aos poucos e poucos notava-se a debandada e os rostos então risonhos, demonstravam uma certa tristeza. Até p’ro ano camarada. Abraços e beijos, carinhosos e de conforto. É sempre triste a partida…haja esperança.
Alguém (familiar de militar) exclamava: “já fui a alguns convívios, mas nunca como este. Nota-se mais alegria, mais abraços e mais carinhos. Em suma, mais camaradagem”. 
É sempre bom a gente ouvir destas coisas. Isto, nos faz continuar...
Até ao ano camaradas. 2016 está à porta e já nos espera…talvez em VNGaia.

A organização

Arteiro & Pepino 

domingo, 8 de março de 2015

XXV Encontro Nacional dos ex-militares da Companhia de Caçadores 3309 (Pateira de Fermentelos)

Foto de grupo
Foto só com as esposas dos ex-militares da C. CAÇ. 3309
Bolo de aniversário

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Carta de um amigo da Companhia de Caçadores 3309



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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

XXV ENCONTRO NACIONAL dos ex-MILITARES DA COMPANHIA DE CAÇADORES 3309 (Moçambique 1971-1973)

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A vossa presença é a razão da nossa continuidade...





domingo, 1 de fevereiro de 2015

"TARTIBO MEU AMOR"







Olá Irmão Leite

Vejo que ainda estás na posse dos teus recursos. Na verdade BINGASTE.
É mesmo o nosso camarada Barros.

O operador de imagem para o casting foi este teu humilde amigo que,  para as artes da fotografia, tenho de reconhecer, ainda me encontrava na fase de ESTAGIÁRIO.

Mas, falando de forma mais séria, a intenção destes e outros documentos fotográficos, é apenas  transportarmos o nosso subconsciente para aquele período difícil, mas rico na relação que tem permanecido ao longo de tantos e tantos anos.

No caso concreto, apenas pretendo enviar o meu abraço àquele camarada e amigo com quem privei momentos inesquecíveis, não subestimando todos os outros, onde tu, irmão Leite, te incluis.

Qualquer fotografia ou outro documento, tem uma história. E no caso, vou tentar em rápidas palavras descrever as razões pelas quais o irmão Barros se encontrava em topless, numa delas e noutra em pleno streap-tease. (Ele que me perdoe a inconfidência).

O Tartibo estava cercado de água. As patrulhas ou eram feitas de Zebro ou em progressão apeada, praticamente sempre dentro de água.

No local onde fizemos aquela paragem para pernoita, era dos poucos onde se pisava terra firme.

Em plena época das chuvas e com as fardas encharcadas, resolvemos proceder ao descasque das mesmas e pô-las a secar até para contrariar as investidas do mosquito Anopheles que, como sabes, eram o principal agente transportador do paludismo (malária).

E aqui fica esta pequena recordação, para que cada um de nós possa ler aos netos. Não vão eles, se tiverem acesso as estas fotos sem qualquer legenda elucidativa, pensar que aquilo que os avós viveram há quarenta e tal anos atrás, era uma uma grande "rebaldaria".

Se o Carlos Vardasca quiser postar no seu blogue, por mim, está à vontade.


Abraço para ti e todos os nossos camaradas.


Filipe Pinto