segunda-feira, 30 de abril de 2007

Uns chamavam-lhe o "Vale da Morte", outros o "Vietname"

























(...) Em nosso redor não sussurrava nenhum vestígio de civilização. A barreira psicológica do arame farpado nem existia, e em todo o perímetro do aquartelamento de Tartibo apenas um amontoado de areia nos servia de protecção. Lembro-me de ouvir dizer que, quando a RTP lá foi fazer as filmagens de natal, houve até um piloto do helicóptero que disse para o reporter de televisão que o acompanhava na reportagem quando avistou o aquartelamento do ar:
- Estes gajos até pareçe que foram enviados para aqui para morrer!
O isolamento era de tal ordem perturbador e a inquietação uma constante, que até o barrulho do vento a assobiar nas árvores nos sobressaltava. Foram meses de isolamento, que obrigaram os soldados da C.CAÇ. 3309 a gerir os seus medos, e a interpretar os vários silêncios que circundavam e espreitavam a todo o momento o aquartelamento (...)
Carlos Vardasca
30 de Abril de 2007

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