sábado, 7 de novembro de 2009

14 de Novembro de 2009. Evocação do fim da Guerra Colonial

(...) O final da Guerra Colonial, há 35 anos, vai ser evocado pela primeira vez em Portugal no próximo sábado, dia 14, disse ontem ao Diário de Notícias o presidente da Liga dos Combatentes.
Segundo o General Chito Rodrigues, a Liga dos Combatentes decidiu realizar essa primeira cerimónia no dia em que organiza as comemorações do 91º aniversário do Armistício - que marcou o fim da I Grande Guerra - e do 86º da própria Liga dos Combatentes.
O evento vai ter lugar junto ao Monumentos dos Combatentes do Ultramar, em Belém (Lisboa), será presidido pelo ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, e terá como orador convidado o General Valença Pinto, chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), adiantou o general Chito Rodrigues.
A tradicional homenagem aos militares mortos em combate, que marca aquela cerimónia anual, vai ficar marcada este ano pela presença dos corpos de três soldados que morreram na Guiné.
Chito Rodrigues explicou que os restos mortais desses militares - furriel José Carlos Moreira Machado, soldado Manuel Maria Rodrigues Geraldes e primeiro cabo Gabriel Ferreira Telo - foram recuperados há meses, mas só agora foram identificados (...)

Diário de Notícias, 07 de Novembro de 2009
Em minha opinião, o dia 14 de Novembro de 2009 deveria ser uma excelente oportunidade para que todos os ex-combatentes comparecessem àquele evento, onde, para além do seu regozijo e satisfação pelo término daquele conflito de má memória, manifestassem também o seu descontentamento e a sua indignação pelo roubo de que foram vítimas no seu "Suplemento Especial de Pensão".
Sobre esta questão, e embora se assistam diariamente à realização de imensos protestos sob a forma de exposições, artigos de opinião ou outros documentos escritos enviados às diversas entidades oficiais pela forma como o governo reduziu ainda mais aquela já mísera pensão aos ex-combatentes, seria de todo legítimo que todas as Associações de ex-combatentes se unissem (para numa outra data a combinar) na mobilização de um amplo movimento nacional de protesto contra a redução daquela pensão junto à Assembleia da República, mostrando ao governo a sua indignação pela falta de respeito, desprezo e insensibilidade para com quem "sem jeito nem prosa" foi enviado para uma guerra que não sentia como sua, e que agora vê reduzido aquilo que (embora nada pague o esforço desenvolvido por todos aqueles que nas matas densas de África se bateram por causas que lhes eram estranhas) alguns consideram um reconhecimento, "mas que nenhuns dinheiros poderão pagar" a vida dos que daquela guerra trouxeram o sofrimento, ou nela tombaram na defesa de uma pátria "que lhes foi e tem sido madrasta".
Carlos Vardasca
07 de Novembro de 2009

Foto 1: Com o fim da Guerra Colonial, guerrilheiros da FRELIMO juntam-se às nossas tropas para festejar o fim do conflito. Murilima. Moçambique 1974.
Foto 2: Momentos de confraternização entre as nossas tropas e guerrilheiros da FRELIMO, algures em Cabo Delgado. Moçambique 1974

2 comentários:

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

JA LI O LIVRO GOSTEI MUITO