sexta-feira, 1 de outubro de 2010

39 anos depois do falecimento do "Almada" (1). 02 de Outubro de 1971

(...) Era um “anfiteatro” ainda em fase de construção, mas a peça que ia ser representada naquele local onde pairava um comprometedor silêncio iria contar com a colaboração de todos, na dupla qualidade de actores e de espectadores, actuando para uma plateia cheia de nada, sem que as palmas entoassem na imensidão do vazio em que todos mergulhavam.
Sem distinção das patentes militares, cada um aconchegava-se no seu canto à espera do início da representação teatral, já que os camarotes tinham sido ocupados pelas árvores que circundavam o “anfiteatro” e pelo final do dia que se ia acomodando em lugar privilegiado.
Ainda o pano do palco não começara a subir e em cada um nos seus lugares já se sentia uma certa incomodidade pela sua demora, estranhando que as “pancadas de Molière” ainda não se fizessem ouvir. Tal era a ânsia (que passeava de braço dado com a inquietação) pelo levantar do pano, que fazia com que a maioria dos presentes no local da representação não reparassem nos sinais luminosos que se cruzavam por cima, nos céus, dando-lhe um outro colorido, cujo brilho era bastante estranho quando misturado com o salpicado brilhante das estrelas que começavam a tilintar.
Aqueles sinais luminosos decerto que tinham alguma tradução e, para alguém mais atento, faziam lembrar os sinais de fumo das tribos Índias que daquela forma organizavam o ataque aos invasores das suas pradarias e das suas reservas de caça.
- Estamos bem tramados, aqueles sinais cheiram-me a esturro:
- Tenho cá uma fézada que neste final de tarde vamos ter porrada e da forte
- disse o “Almada” com aquela voz rouca que o caracterizava, correndo em passo apressado a alertar todo o pessoal que se encontrava nos postos de vigia, certificando-se aí que também eles tinham visto os very-light´s
[1], assim como todo o pessoal que se encontrava nas tendas e o próprio capitão Hélio Moreira, que ainda andava a caldear a cerveja que tinha emborcado durante toda a tarde.
- Companheiros, temos que nos por a pau porque todos estes very-light´s que se têm cruzado por cima do nosso aquartelamento são sinais de mau agoiro.
- Está-se mesmo a ver que os “turras” nos vêm atacar!
- acrescentou o “Cascais” prosseguindo com seu raciocínio:
- Esta área do aquartelamento era uma base deles e, para além do orgulho de quererem defender um território que consideravam como seu, conhecem esta zona de cor e salteada e, por estar bem identificada nos seus mapas não lhes vai ser difícil acertarem bem a pontaria, e a morteirada cair toda aqui dentro de Tartibo, com a agravante de saberem que só em poucas horas era muito difícil termos todos os abrigos construídos:
- Vai ser bonito vai!
- concluiu preocupado o furriel Garcia.
Sem que se tivessem ouvido as “Pancadas de Molière” ou desse tempo para que as luzes do “anfiteatro” se apagassem, continuando a lua cheia a clarear todo o aquartelamento de Tartibo que mais se assemelhava a um amontoado de destroços, o ataque, que era mais que previsível mas que apanhou quase toda a guarnição desprevenida, iniciou-se com uma ferocidade inexcedível provocando um verdadeiro horror inesquecível em todos os presentes.
Eram cerca de 17 horas e 45 minutos quando o primeiro ataque de um conjunto de quatro, intercalados por períodos de cerca de quinze a vinte minutos se desencadeou, com uma precisão que revelava a sua longa experiência neste tipo de ataques e um verdadeiro conhecimento das regras do cálculo e das distâncias. A FRELIMO flagelou o aquartelamento de várias direcções, desencadeando este ataque de uma forma tão brutal que parecia querer desalojar a 3309 da área que já fora o seu reduto, fazendo com que quase todas as quinze granadas de morteiro de 82mm caíssem dentro do perímetro defensivo, bem no centro do aquartelamento. Na tenda onde dormia o 3º Grupo de Combate que tentava descansar de uma longa permanência no mato em patrulha, todos foram acordados por um forte rebentamento de uma granada de morteiro 82mm, cujos estilhaços esfarraparam a lona e a parede de zinco de outra caserna, gerando o pânico entre os soldados.
- Morteirada... morteirada... abriguem-se! os cabrões dos “turras” estão mesmo a acertar em cheio — alertava o “Almada” que avisava o Serrinha que estava em cima de uma árvore a montar uma antena de rádio.
- Oh meu Deus, é desta que ficamos aqui todos! - dizia o Serrinha enquanto já corria na direcção das valas que davam acesso a um dos abrigos improvisados mas sem o mínimo de segurança, onde já se refugiavam alguns soldados, ao mesmo tempo que concluía o seu protesto:
- Esta merda não tem jeito nenhum de quartel, até parece que nos enviaram para aqui para se livrarem de nós e para morrermos todos.
O rosto dos soldados demonstravam uma forte inquietação que os fazia olhar, constantemente, para fora da zona defensiva e para o descampado da área desmatada que findava no início do denso arvoredo. O arame farpado ainda não tinha sido armado em redor de todo o perímetro do aquartelamento, o que podia facilitar a entrada dos guerrilheiros envolvidos naquela operação caso decidissem retomar Tartibo naquela noite.
No posto de rádio o “Pilhas Secas” comunicava para Nangade em altos berros o intenso ataque de que estava a ser alvo a 3309 em Tartibo, pedindo desesperadamente o apoio da aviação para bombardear a zona e afugentar os atacantes.
Em resposta, recebia a indicação de que Tartibo devia resistir até às últimas consequências, lembrando que o apoio da aviação não podia ser efectuado devido ao adiantado da hora da noite que já se abatia sobre o aquartelamento, o que iria dificultar as manobras do bombardeiro T6 que esteve prestes a ser enviado para o local, mas tão depressa recusado o seu envolvimento naquela operação, devido à inexistência de um ponto de referência que localizasse a área a bombardear por o aquartelamento ser de localização recente e ainda não haver mapas cartográficos que identificassem com exactidão as suas coordenadas.
Do lado norte, bem próximo da extensa área descampada em redor do aquartelamento, o matraquear das Kalashnikov zumbiam por cima dos montes de areia de protecção que rodeavam aquele inferno, o que denotava da parte da FRELIMO o propósito de desencadear uma operação de grande envergadura e com uma forte predisposição dos meios envolvidos que pareciam determinados em tomar de assalto Tartibo naquela mesma noite.
Em Nangade, junto do posto de transmissões, assistindo a todo aquele desespero via rádio, o Braz, o Nabais e o Almeida não abandonavam o posto de rádio para acompanhar o desenrolar dos acontecimentos em Tartibo, apercebendo-se, pela forma como as notícias estavam a ser transmitidas, de todo o drama porque estavam a passar os seus companheiros ali destacados a avaliar pelas explosões consecutivas que se ouviam ao longe.
- Porque é que aqueles “Chicos” d´um cabrão não enviam um Fiat
[2] e bombardeiam em redor de toda a zona e desbaratam aqueles filhos da puta? - disse bastante indignado o Almeida.
- Então não vês que ainda não existem mapas da localização correcta de Tartibo e, ao bombardearem a zona podiam falhar o alvo e matarem um monte de soldados nossos! - retorquiu o Nabais.
- Mas, mesmo não bombardeando, sempre mais valia a pena enviar um Fiat porque sempre metia mais respeito, do que enviarem aquele calhambeque do T6 que pensaram em enviar; daqueles que estão a cair aos bocados e que os americanos nos impingiram porque já eram do tempo da guerra da Coreia - ripostou o Almeida bastante irritado, o que lhe dava uma tez avermelhada que bem espelhava a sua indignação que lhe fazia sobressair as veias mais salientes do pescoço.
Entretanto o ataque da FRELIMO continuava ainda com alguma intensidade sem que o capitão Hélio se apercebesse da verdadeira envergadura do mesmo, caminhando com um andar desarticulado, subindo para cima dos pequenos morros de areia escavada dos buracos dos abrigos, tocando um clarim meio enferrujado dando ordens tão esquisitas que só poderiam vir das profundezas do seu cérebro alcoolizado:
- “...Vamos embora cavalaria!, ao ataque meus bravos...”
- “...Nós, os caras pálidas não nos deixamos vencer por meia dúzia de peles negras que não têm a coragem de sair da merda daquele mato e nos virem enfrentar de corpo a corpo...”
As notas que conseguia soprar daquele clarim; a que alguém já dissera ser um crime chamar notas de música, soavam a desespero e a uma certa incapacidade para comandar quem quer que fosse naquele momento, e não conseguiam abafar o desespero do alferes “Checa”
[3] que chorava, chamando insistentemente pela mãe que naquele preciso momento não o poderia socorrer.
- Mãezinha... oh minha querida mãezinha...
- Leva-me daqui... eu ainda morro aqui sem ter feito mal a ninguém - enquanto corria desnorteado à procura de um local seguro, chorando copiosamente como se fosse um miúdo perdido num jardim à procura dos pais, revelando uma outra personalidade muito mais fragilizada, diferente da posição austera que sempre exibia em silêncio e que mantinha à distância qualquer tentativa de aproximação. Na trincheira ao lado onde vários soldados se protegiam do fogo de morteiro, ouviu-se uma voz que bradava contra o comportamento do oficial:
- Eh meu alferes, não pode estar caladinho um minuto em vez de estar aí feito cagarolas ?
O barulho era ensurdecedor. O estampido dos rebentamentos das granadas de morteiro 82mm que iam caindo dentro do aquartelamento, misturavam-se com a resposta dada pelos tiros do canhão sem recuo e do Obus14 que faziam fogo intenso sobre a mata circundante, tentando desarticular a frente de ataque dos guerrilheiros que, “num jogo onde as cartas do baralho pareciam ter sido baralhadas de forma a que os trunfos fossem distribuídos em desigualdade por todos os jogadores” sem que, apesar do cansaço, o “jogo não parecesse ter fim à vista ou o seu empenho diminuído de intensidade”.
O pó que se levantou, o fumo dos rebentamentos e o cheiro a pólvora era de uma intensidade e de tal maneira espesso que por pouco não encobria a lua, que assistia, a cerca de trezentos e sessenta e quatro mil quilómetros de distância, do alto do seu pedestal, àquela cena que se desenrolava ali naquele “anfiteatro”, limitando-se a fornecer a claridade para que os exércitos em confronto não perdessem os limites da racionalidade, e decidissem a seu tempo terminar com aquela brutalidade que durava aproximadamente à cinquenta minutos, que só parecia ter sentido para quem bem longe dali mexia os cordelinhos dos jogos de influência; “qual boneco articulado que só obedece à movimentação dos dedos de quem lhe empresta uma vida provisória”, enquanto alguém agonizava bem no fundo de um dos buracos onde era suposto estar ali construído um abrigo.
Inesperadamente, e sem qualquer explicação, talvez porque alguém reconhecesse que aquela brutalidade se tratava de um momentâneo lapso da razão, fez-se de repente um silêncio de ambos os lados das barricadas, que todos tentavam adivinhar ser deveras comprometedor devido às várias interrupções que ocorreram durante aquele ataque.
Já com o aquartelamento inundado na escuridão, irreconhecíveis, de olhos fixos nas silhuetas que se assemelhavam a vagabundos que vagueiam por entre os escombros de uma derrocada, todos se olhavam mutuamente sem compreenderem aquele silêncio repentino.
Ao longe, correndo por entre a escuridão e um amontoado de cunhetos de munições e de cápsulas de Obus dos disparos efectuados, uma silhueta transportava aos ombros um soldado gravemente ferido para o posto de socorros improvisado, enquanto outros já procediam de imediato ao levantamento dos estragos e à avaliação da situação no terreno pensando que a FRELIMO tinha findado a sua onda de ataques.
- É pá, quem é o gajo que levas aí aos ombros? - disse o Furriel Gonçalves do fundo do seu posto de morteiro 81mm.
- É o “Almada” - caiu-lhe uma granada de morteiro dentro da vala onde se protegia e está todo ensanguentado e penso que gravemente ferido - respondeu o 1º Cabo Gonçalves que abandonara aquele posto de municiador de morteiro para socorrer o companheiro, aproveitando aquela pequena trégua nos combates — continuando a falar mas a correr de uma forma aflitiva em direcção à tenda do posto de enfermagem:
Quando lá chegámos à vala onde ele foi ferido, já o Moreirinha do 3º pelotão estava de posse dele, e até lhe arrancou o resto da granada que se lhe espetou no peito.
— Nem sei como aquele gajo arranjou tanta coragem:

— Dos que estávamos lá, nem um se atreveu a fazê-lo
— concluiu o Gonçalves.
Pelas dezoito horas e trinta minutos desencadeia-se um novo ataque, o quarto naquele espaço de tempo que pareceu uma eternidade, com as quinze granadas disparadas da direcção Leste do aquartelamento a caírem próximo de tendas de lona e bidons de combustível.
Terminado o ataque ao cabo de cerca de 55 minutos, os oficiais responsáveis por cada pelotão tentavam agrupar os seus homens para se certificarem da existência de alguma baixa quando uma falta foi detectada num dos pelotões.
- O “Almada” ? — perguntou o alferes do 1º pelotão franzindo a testa.
- A última vez que o vi ele corria na direcção daquela vala, que só tem os troncos de árvore assentes e sem a protecção das placas de zinco e areia por cima, - disse o soldado Vieira que correu na direcção do local indicado, levando as mãos à cabeça num acto de desespero, quando olhou para o fundo do abrigo e apenas viu a terra ensanguentada.
De pequena estatura, aquele corpo que parecia uma criança aconchegada no colo materno, agonizava já na maca numa velha tenda que fazia de posto de socorros improvisado, inglório, enquanto lhe eram prestados os primeiros socorros e a assistência possível em face da gravidade dos ferimentos, enquanto via rádio era pedido um helicóptero para a sua evacuação para o hospital de Mueda, que não pode ser possível naquele dia devido ao adiantado da hora. Os restos da granada de morteiro 82mm permaneciam também eles ensanguentados no fundo do abrigo, como que a certificarem-se de que tinham cumprido a sua missão, podendo, agora, já mais descansados, virar material de sucata ou esperar pela reciclagem que lhes voltasse a dar outra forma e nova configuração.
A vala onde o “Almada” se refugiara fora atingida por uma granada de morteiro 82mm logo no primeiro desta sucessão de quatro ataques, ferindo-o gravemente.
Dentro do posto de socorros, os estrondos ensurdecedores dos rebentamentos que continuavam a flagelar o aquartelamento, do disparar das armas automáticas e dos obuses que disparavam na direcção de onde se ouviam as “saídas” das granadas de morteiro disparadas pela da FRELIMO, não conseguiam abafar os apelos do “Almada” que implorava, enroscado sobre si como uma criança, o seu direito à sobrevivência enquanto se esvaia em sangue e desfalecia, apesar de o enfermeiro Cardoso o tentar reanimar com respiração boca a boca durante toda a noite, pressentindo que as suas férias estariam cada vez mais distantes e que inesperadamente o levariam a adormecer num lugar distante.
No dia seguinte logo pela madrugada, transportado na maca a caminho do helicóptero de evacuação, aquela voz rouca ainda foi enjeitando alguns suaves protestos que contrariavam o catecismo decorado na infância e onde lhe fora ensinado que “...Deus estaria sempre do lado de quem reza e contra os infiéis…”
Já dentro do helicóptero e antes que a sua voz rouca se silenciasse (apesar dos esforços de toda a equipa de enfermeiros que não o abandonaram durante toda a noite, estancando-lhe os golpes da granada de morteiro que lhe esventraram o corpo e lhe ensanguentaram o camuflado), o “Almada”, com a rouquidão cada vez mais ténue, que ainda deixava transparecer um ligeiro sopro dos seus lábios baços, já sem esperanças de compreender porque fora apanhado do lado errado daquele conflito, lentamente, foi desvanecendo, mas ainda com forças para soletrar um breve e último protesto que aos presentes suou inundado de inocência:
- “ … será que Deus ainda não entendeu que é do nosso lado que se reza …”?
- “Então… porque é que hoje… ele esteve… do lado dos maus”?
Enquanto o helicóptero de evacuação levantava voo, as suas hélices faziam um redemoinho de poeira avermelhada que encardia toda a tristeza e os lenços que se agitavam em sinal de despedida do “Almada”, o Obus 14 e as G3 disparavam, chorando lágrimas de fogo sem destino mas em jeito de salva em sua homenagem, soletrando, através das rajadas uma angústia bem expressa nos rostos escurecidos e cansados de tanta raiva amordaçada, ali bem longe, junto à fronteira com a Tanzânia nas margens do rio Rovuma, no final das escarpas do Planalto dos Macondes bem no âmago dos “subúrbios do céu”, onde a guerra calava mais fundo.
O cenário dramático voltava a repetir-se na história da Companhia de Caçadores 3309.
O “Almada” ou mais propriamente o Pedro Manuel Gaspar Augusto também estava prestes a ir passar férias à Metrópole e viu o seu sonho drasticamente interrompido.
Sobrevoando já por cima das árvores, o helicóptero ainda fez um voo rasante sobre o aquartelamento como que agradecendo aos lenços que ainda se agitavam e às rajadas de metralhadora que soavam carregadas de emoção e protesto, para que o seu som fosse levado pelo vento e fizesse soprar uma brisa de revolta nas secretarias da nomenclatura do exército e penetrasse bem fundo nas catacumbas do regime.
O “Almada” viria a falecer nesse mesmo dia, 2 de Outubro de 1971, ido de Mueda a caminho do Hospital Militar de Lourenço Marques (...)

[1] Foguetes de iluminação utilizados para localizar um local.
[2] Jacto da Força Aérea Portuguesa.
[3] Alcunha do Alferes Mendes por ter sido o último a incorporar a Companhia de Caçadores 3309 em Moçambique.

In: "Fardados de Lama" (Romance) da Página 179 a 188. Carlos Vardasca. Alhos Vedros 2009.
Foto 1: O "Almada" (o primeiro a contar do lado esquerdo) no Aquartelamento de Pundanhar na companhia de soldados da Companhia de Caçadores 2703 ali estacionados e do Serrinha (o primeiro a contar do lado direito) da Companhia de Caçadores 3309.
Foto 2: O "Almada" (ao centro) no Aquartelamento de Nova Torres (Tartibo) na companhia de um Grupo de Combate de GEs.
(4) "Almada". Alcunha do 1º Cabo Atirador Pedro Manuel Gaspar Augusto. 1º Cabo Atirador NM 13619570 da Companhia de Caçadores 3309, falecido em combate em 02 de Outubro de 1971, em virtude do ataque da FRELIMO ao Aquartelamento de Tartibo no dia 01 de Outubro de 1971.

5 comentários:

Bom disse...

Sou um ex-combatente de Moçambique, Cabo Delgado (Macomia, Mataca, Serra do Mapé). Aprecio este trabalho e junto-me a vocês na homenagem ao combatente "Almada".

Anónimo disse...

Olá Carlos Vardasca
Meu nome é Dener Ferreira, moro em Mogi das Cruzes (fica a cerca de 50 km da cidade de São Paulo), uma cidade do estado de São Paulo, no Brasil.
Como muitos Brasileiros, minhas origens são Portuguesas, meus avós vieram de Portugal na década de 1930, parte dos filhos nasceu em Portugal e outra parte nasceu no Brasil.
Meu Pai nasceu no Brasil e eu também, mas gosto muito das coisas relacionadas a Portugal, tenho orgulho das minhas origens Lusitanas e procuro estar sempre em contato com nossa cultura.
Através de seu blog pude conhecer as dificuldades e agruras de toda uma geração de Portugueses que tiveram que lutar na África. Pude conhecer, não a história oficial (a contada pelos livros), mas a história real de jovens colocados nas matas da África para lutar pela manutenção das colônias.
Não sou a favor do que era o Colonialismo (meu avô veio de Portugal por não concordar com o Salazarismo), nem dos Movimentos de Libertação Africanos, deixo aqui a minha saudação aqueles Portugueses que foram obrigados a deixar seus lares, familiares e amores e irem para terras distantes travar uma guerra que só causou dores, traumas e a perda de milhares de vidas.
A vocês, ex-combatentes do Ultramar envio o meu respeito e homenageio a uma geração que lutou por Portugal e deverão ser sempre lembrados como Bravos.
Sempre visito seu Blog e aguardo seus novos relatos, assim posso entender o que foi uma era que eu vivi, mas era muito jovem (e as informações no Brasil sobre a Guerra do Ultramar eram censuradas, pois aqui era época da Ditadura Militar).
Saudações do Brasil.
Dener Ferreira.

manuel aldeias disse...

Os meus parabens a Carlos Verdasca.
Neste texto conseguiu transmitir-nos todo o ambiente de pesadelo e terror do outro mundo, experimentedo pelos nossos jovens vestidos de soldados, obrigados a combaterem numa cruel e desumana guerra. Longe de casa, de familiares e amigos, defendendo não sei o quê, ou melhor defendendo intereses que não os seus.
Revejo-me nestas linhas, eu que
tambem fui soldado em Angola, sensivelmente na mesma altura e tambem eu senti na pele o medo e a impotencia, que o autor descreve de maneira tão mágnifica.
Obrigado por esta exraordinaria narrativa.
Manuel Aldeias

Mario Alberto disse...

Por curiosidade, li algumas passagens suas pela guerra,tem boa memória, relata factos ao pormenor,parabéns. Eu vivi muitos anos em Moçambique,fiz o meu serviço militar com incorporação local,tive sorte e nunca saí de um quartel em Lourenço Marques.Nunca me incomodei com a dita guerra,fazia o meu serviço militar de dia e estudava á noite,e tirei um curso superior.

joaquim disse...

olá ex. camarada ? grande discriçao do que se passou especialmente de mocambique, por onde eu passei 73-74 precisamente inhaminga sendo aramista nao assiti pessoalmente aos massacres mas é verdade, embora os atos mais horrendos eram praticados psp~-dgs soldados eram mandados por gente de mente pobre, passou mas história não é para esquecer, aproveito para lembrar dia 12 dezembro 2012 passa algo sobre inhaminga »RTP 1 22-40» abraço amigo até sempre bem hajam