Companheiro, camarada e amigo e todos aqueles que queiram interiorizar aquele fatídico acontecimento.
Por si só, a atitude político militar assumida pelas autoridades portuguesas à época, bem como as actuais, é demonstrativa do que representa o povo para o poder instalado. Numa palavra, nada.
Servem-se dele a seu belo prazer, não para o bem e para o mal; isso é nos casamentos, mas apenas para o mal.
Nunca cultivei grandes princípios de natureza política, costumo até dizer que me considero “ não alinhado “.
Tudo isto para não deixar em claro o teu último artigo sobre o “ Caso Guimarães “.
Se bem te lembras quando iniciámos os nossos comentários sobre este assunto, a que mais tarde deste eco no teu blogue, alertei-te para as dificuldades que irias encontrar, no sentido do esclarecimento total deste acto de guerra, que deu origem infelizmente ao desaparecimento deste nosso camarada, e amigo pessoal do signatário, como também, aquele que o viu vivo pela última vez, com excepção dos militares GE’s 212 que o acompanhavam.
Dificuldades provenientes do tempo decorrido entre o acto em si e a altura em que começaste a trazer à luz do dia, e ao conhecimento publico, tão triste acontecimento.
Para mim, directo participante neste acontecimento, o que mais me entristece é e foi, a forma como as autoridades, quer no tempo próprio, quer a esta longa distância, se demarcaram de procurar a verdade.
Tratou-se sem dúvida de um caso embaraçoso, mas não houve vontade política de qualquer espécie, no sentido de trazer paz à família, bem como a mim próprio, pois ainda tenho na mente este acontecimento e que desaparecerá somente, quando eu também já por cá, não andar.
A forma como as autoridades trataram este assunto à época, “ seu filho desaparecido”, não se sabe se vivo ou morto…”, sem nunca mais voltarem à carga, demonstra bem o seu empenho no esclarecimento de questões complicadas.
Éramos e mais contemporaneamente falando, somos, carne para canhão
Vê-se agora com a tal crise. Quem a paga? O soldado desta guerra. O povo.
Meu amigo; o teu esforço valeu e vale a pena. Este caso passou a ser do conhecimento de muitos camaradas nossos, e talvez nos ajude a ver melhor “a carta que somos neste baralho” de interesses que não são por certo, os nossos.
Deixemos o Guimarães em paz. Ele merece este nosso carinho. Ele sabe como nós gostamos dele.
Filipe Cardão Pinto
Ex-responsável pelo Grupo Especial GE’s 212
do Aquartelamento de Nhica do Rovuma
Cabo Delgado. Moçambique
16 de Novembro de 2011
Foto: O Furriel Pinto à saída do Aquartelamento de Nhica do Rovuma, no comando do Grupo Especial GE’s 212, no início de uma operação de reconhecimento. Cabo Delgado, Aquartelamento de Nhica do Rovuma. Moçambique 1972.


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