

Foi com redobrada atenção que li o comentário de Fernando Ferrão, sobre um texto colocado por mim no blog com o título "Os homens requisitam-se, mas as Berliets custam 400 contos cada uma", comentário que desde já o agradeço e a que presto os esclarecimentos necessários com muito gosto.
Começo por referir que não coloco em causa o prestígio, a capacidade de chefia e o humanismo desse oficial a que se referiu aquele companheiro ex-combatente, mas gostaria de acrescentar que possivelmente não estaremos a falar da mesma pessoa, tendo em conta os dados que cita no seu comentário assim como os que vou explicitar. Digo que não é o mesmo oficial porque o que eu conheci em Nangade no período de 1971-1972, comandava a CCS do Batalhão de Artilharia 2918 embora fosse um oficial de Cavalaria (e não um Batalhão de Caçadores como refere aquele amigo) ao qual a minha Companhia (Companhia de Caçadores 3309) ficou adida, apesar de estar estacionada num outro aquartelamento junto ao rio Rovuma (Tartibo). Por outro lado, e a atestar que de facto estaremos possivelmente a falar de pessoas diferentes, nesse período quem estava em Moçimboa do Rovuma era a CCS do meu batalhão, o Batalhão de Caçadores 3834, e não a CCS do Batalhão de Cavalaria 2848, que poderia lá ter estado mas numa outra altura, possivelmente.
Conforme documentos que me foram cedidos pelo Arquivo Histórico Militar de Lisboa, o Batalhão de Artilharia 2918 de que fazia parte o Tenente Coronel Vasconcelos Porto a que eu faço referência, começou a ser rendido em Nangade pelo Batalhão de Artilharia 3876 no dia 27 de Janeiro de 1972, embora alguns dos seus efectivos lá permanecessem por mais algum tempo até à sua rendição total.
Acrescento que, no período em que eu estive em Nangade (de 25 de Fevereiro de 1971 a 03 de Novembro de 1972) as únicas companhias que ali estavam estacionadas eram (para além da CCS do Batalhão de Artilharia 2918), as Companhias de Artilharia 2745, a Companhia de Engenharia 2736 e mais tarde a CCS do Batalhão de Artilharia 3876 (que foi render o B.ART. 2918), assim como a Companhia de Artilharia 3506 que foi render a minha Companhia ao Tartibo em 03 de Fevereiro de 1972.
Quanto ao meu comentário, confirmo-o, assim como possivelmente a maioria dos soldados que passaram por Nangade naquele período, pois o assunto foi mais que comentado, se já não bastasse eu ter presenciado aquele episódio, uma vez que estava junto do alferes que comandava a coluna de reabastecimento quando ocorreu a emboscada e posteriormente o diálogo que se seguiu via rádio, para pedir o apoio aéreo para as evacuações a que faço referência no blog.
Prestados estes esclarecimentos, penso que a atestar pelos dados que o amigo Fernando Ferrão citou, fica mais claro que de facto se tratam de pessoas diferentes (embora com nomes idênticos) a que cada um de nós faz referência, agradecendo desde já a forma como colocou a questão.
Junto deste esclarecimento e a confirmar a veracidade da permanência daquele oficial em Nangade, junto um documento assinado por si no período quando estava naquele Aquartelamento a comandar a CCS o B.ART. 2918, assim como uma foto do mesmo junto do General Kaúlza de Arriaga e do então Governador Geral de Moçambique Engenheiro Pimentel dos Santos numa das suas visitas a Nangade, tirada na varanda da casa do Administrador de Posto junto daquele Aquartelamento.
Ao companheiro Fernando Ferrão, o meu obrigado e um abraço amigo.
Carlos Vardasca
29 de Abril de 2008
Foto: O Tenente Coronel Vasconcelos Porto entre o General Kaúlza de Arriaga, um ex-guerrilheiro da FRELIMO e o Governador Geral de Moçambique Eng. Pimentel dos Santos. Nangade, 17 de Julho de 1972
Documento: Comentário efectuado do pelo Tenente Coronel Vasconcelos Porto, a propósito da captura pela Companhia e Caçadores 3309 de um barco à FRELIMO no dia 25 de Junho de 1971. O documento tem no seu topo a referência ao B.ART. 2918 assim como a assinatura do referido oficial, o que comprova a sua estada em Nangade a comandar a CCS do Batalhão de Artilharia 2918.