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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Que Império?


Que Império ?

Este país que mais amo,
mais houvera, não sentia igual,
oh...que descobertas tão mentidas
como te sentes pequeno Portugal.

Vestiste África por medida
fixas-te valores que não eram teus,
iludiste a tua identidade,
colonizaste os filhos meus.

Impuseste a opressão colonial
amordaçando a voz que não era tua,
mergulhaste no silêncio das viúvas
mentiste, secas-te o suor de quem sua.

Fizeste embarques triunfais
de tropas famintas por desertar,
com mulheres acenando ao vento,
sob peso de botas a marchar.

Regressaste de África nu,
a tudo perdeste o direito,
com o saco das vitórias vazio
nas viúvas a angústia no peito.

Hoje choras com saudade
a orgia colonial que findou,
Portugal, que lindo és
tão pequeno tão saudável,
tão país que ficou.

Esta é a dimensão real
pedaço térreo que somos,
p´ra quê fingir...que Império ?
se colonizados sempre fomos.

Carlos Vardasca
10 de Junho de 2009
Foto de Alfredo Cunha

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Onde ficou o natal?


Onde ficou o natal?


No meu caminhar incerto
entre ruas iluminadas,
vejo espelhados nas montras, sorrisos,
são crianças fascinadas.


Mas nas montanhas cobertas de neve
onde o frio esconde canseiras,
faces rosadas, carentes,
brilham ao crepitar das lareiras.

Nuns, brilha uma felicidade encenada
por compromissos sazonais,
noutros, uma infância moldada
pela broa que escasseou nos bornais.

Há brinquedos que esperam sozinhos
em montras prenhes de carências,
outros, tão depressa morrem nos sótãos
numa solidão parida de opulências.

As crianças não devem crescer assim,
separadas por muros, por medos,
se os sorrisos são universais,
porquê só no natal?
se todos nós somos brinquedos.


Carlos Vardasca
Poema escrito em 18 de Dezembro de 2003
Foto: Elementos da C.CAÇ. 3309 festejam o natal de 1971 no Aquartelamento de Tartibo.