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domingo, 6 de setembro de 2015
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
31º Almoço de Convívio da Companhia de Artilharia 2745
CONVÍVIO DA COMPANHIA DE ARTILHARIA 2745
31º Almoço Convívio em 4 de Outubro de 2014
42º Aniversário do regresso de Moçambique
RESTAURANTE "O PALHINHAS" em Rio Maior
11,00 horas: Concentração
13,00 horas: Início do almoço
Intervalo com visita às salinas
18,00 horas: Lanche
Confirmações até ao dia 28 de Setembro de 2014 para:
Manuel Costa. Telefone: 243993113/919934411
Atílio Santos. Telefone: 244814365/966908625
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
36 anos depois a malta da C.ART. 2745 volta a encontrar-se.

Recebi do camarada Atílio Santos da Companhia de Artilharia 2745 a informação de que a Companhia ia encontrar-se no 36º Aniversário do seu regresso de Moçambique, sendo este ano o 26º Almoço de convívio e com o seguinte programa:12,30 horas - Concentração no Restaurante
13,00 horas - Almoço no local de convívio
18,00 horas Lanche
Os interessados em participar devem contactar para:
Atílio Santos - Telf: 244814365 ou 966908625
Filipe Pereira (Setenta) Telef: 244732317 ou 914596332
Decerto que vão ser momentos de partilha de uma imensa satisfação por se encontrarem de novo, mas também relembrar os momentos difíceis por que passaram em Moçambique e prestar um singela homenagem aos companheiros tombados em combate.
E porque o momento também é de alegria, irão provavelmente comparar a farta refeição do convívio com o tradicional arroz com peixe com que os presenteavam nas margens do rio Rovuma, dieta só interrompida a quando da visita do General Kaúlza de Arriaga ao Aquartelamento de Nova Torres em 24 de Dezembro de 1970 onde, e para variar, a ementa foi colectiva e "melhorada", sendo composta por salsichas, batatas fritas, arroz branco e um ovo a cavalo.
A Companhia de Artilharia 2745 comandada pela Capitão Duque foi rendida pela Companhia de Caçadores 3309 (de que eu fazia parte) em Nova Torres no dia 01 de Março de 1971, tendo ambas as Companhias partilhado os dramas das inundações do Aquartelamento, a angústia das patrulhas pela mata densa e a incerteza do seu regresso que a cada instante se previa incerto.
Para todos eles que agora comemoram o 36º Aniversário do seu regresso da Guerra Colonial, aqui fica também um abraço solidário de quem sobreviveu.
Carlos Vardasca
17 de Setembro de 2008
Foto 1: Visita do General Kaúlza de Arriaga, esposa e restante comitiva militar ao Aquartelamento de Nova Torres em 24 de Dezembro de 1970.
Foto 2: Momento de uma das várias inundações do Aquartelamento de Nova Torres devido à junção das águas dos rios Rovuma e Metumbué, o que obrigava a constantes retiradas para zonas mais elevadas e a dormir durante vários dias em cima das árvores.
sábado, 15 de dezembro de 2007
"...Oxalá não tivesse sido assim"
+Palma+1972A47.jpg)
(...) Quantas vezes no nosso dia a dia nos confrontámos com histórias (que roçavam quase o ridículo) contadas por vezes em jeito de uma pseudo-heroicidade inexistente e ainda no rescaldo do entusiasmo da participação no conflito colonial, muitas vezes contadas por quem, apesar de ter sido mobilizado, sempre observou a Guerra Colonial das cidades e nunca "saiu do arame farpado" e não viveu (e ainda bem que não) todos os dramas porque passaram quem convivia diáriamente de perto com os dramas ocorridos na frente de combate. O ano passado, no Café da Júlia, e porque calhou em conversa, contei a um amigo meu um episódio passado com a Companhia de Artilharia 2745, que a Companhia de que eu fazia parte a foi render nas margens do rio Rovuma na fronteira com a Tanzânia. Ele não acreditou, ao ponto de ridicularizar o que acontecera, dizendo que era mais uma das histórias de quem se queria vangloriar (como se o episódio não fosse apenas o resultado do dramatismo e das condições adversas com que eram confrontados a maioria dos soldados que foram destacados para a frente de batalha). Fiquei impressionado com aquela falta de sensibilidade e, por esse facto, fui a casa buscar o relatório dessa operação militar(1) dando-o a ler a esse meu amigo que, depois de se confrontar com a realidade ali relatada, e porque também como eu é de "lágrimas fáceis" pediu-me, emocionado, desculpa pela sua ignorância. Esse relatório, de quatro páginas e que descrevia uma operação militar de cinco dias efectuada pela C.ART. 2745, dizia a determinado momento o seguinte:
(7) (...) Em 12 de Novembro de 1970 a C.ART. 2745 manteve-se na mesma zona conforme ordens recebidas, já com bastantes problemas de água, uma vez que o percurso a corta mato foi extenuante e o reabastecimento insuficiente face às necessidades. Nesse dia grande parte do pessoal deixou de comer por não ter água para acompanhar a comida, e começaram a surgir desmaios e delírios.
(8) Em 130300NOV70, aproveitando a frescura da noite e aproveitando a seiva de raízes para mitigar a sede, iniciou-se a marcha para W, pelo lado norte da picada e sempre perto desta, à mínima distância de segurança para evitar accionamento de armadilhas IN das bermas da picada e, em 130800BNOV70 atingiu-se o local coord.3952.1056,6 onde o agrupamento ficou reunido à espera de água.
Nesta ocasião, mais de 10% do pessoal estava inoperacional, os estimulantes das bolsas de enfermeiro estavam a esgotar e foi necessário dar soro a beber a um militar que apresentava sintomas de desidratação. Militares houve que, contra tudo o que está indicado e fora da vigilância dos graduados beberam urina, pelo que foram severamente admoestados. Outros ainda arranjaram forças para abrir um poço numa lângua e, como não houvesse água, chuparam a terra húmida.
Em131300BNOV70 chegou a coluna vinda de Nangade com água e racções de combate, fez-se o reabastecimento, ministraram-se comprimidos toni-hidratantes ao pessoal, todos foram obrigados a comer, pois a maioria o não fazia havia mais de um dia, e pelas 14,00 horas iniciou-se o regresso ao quartel onde se chegou em 131900BNOV70 (...)
(1) Relatório de Operações nº12/70 de 13 de Novembro de 1970, assinado pelo Capitão de Artilharia, Comandante da C.ART. 2745 José Fernando Jorge Duque.
Foto: Elementos do 3º Pelotão da Companhia de Caçadores 3309 em patrulha na picada ente os Aquartelamentos de Nangade e Tartibo. Norte de Moçambique 1971.
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