sábado, 14 de maio de 2011

Em homenagem ao 1º Cabo Pedrosa, falecido em combate no dia 14 de Maio de 1971

Caro companheiro
Venho por este meio relatar um triste episódio de guerra, passado em Nangade no norte de Moçambique.
Como sabes naquela época existia em Nangade uma companhia de GEs composta unicamente por soldados de cor, que fardavam também de negro, e era comandada pelo tenente Victor Santos e pelo alferes "PINTINHAS".
Naquele teatro de guerra essa companhia havia feito algumas baixas às forças inimigas (FRELIMO) poucos tempo antes do fatídico dia em que o companheiro Pedrosa (1º Cabo de Transmissões) foi abatido.
Quando era designada alguma operação aos GEs e caso o alferes não pudesse (e nesse dia ele não pode pois deu parte de doença) um de nós os dois, eu ou o Pedrosa éramos chamados a acompanhar essa companhia.
Nessa operação denominada "BANDARILHA" era eu que estava destacado para a missão, mas como à hora da saída o pessoal não me conseguiu encontrar por eu estar a jogar às cartas com outros camaradas, o Pedrosa disse ao nosso alferes que ia no meu lugar e que na outra operação de três dias que já estava prevista eu iria em seu lugar, para ele poder ir de ferias que já estavam marcadas para o principio de Junho, por infortúnio do destino o nosso companheiro Pedrosa partiu deixando grande mágoa e uma enorme consternação entre todos os companheiros, também uma enorme pena pois não mais poderia ver o filho.
Nós o pessoal de transmissões Já tínhamos alertado o nosso Alferes que aquelas saídas com os GEs eram muito perigosas pois sair para o mato vestido com uma farda diferente dos demais era um convite ao inimigo para sermos alvejados, ora vejamos para um soldado da FRELIMO com pouca formação um branco no meio de uma companhia de pessoal de cor e ainda por cima fardado de maneira diferente, facilmente era confundido com um "LÍDER" e por isso um alvo a abater, infeliz o Pedrosa que foi atingido mortalmente no meio de tantos GEs e pagou com a vida um erro grosseiro que qualquer comandante não deveria cometer.
Sem mais me despeço, um abraço de amizade

Carmindo Martins
Ex-Soldado de Transmissões Nº151098/69
da CCS. Companhia de Comando e Serviços do
Batalhão de Artilharia 2918 (Nangade-Moçambique)

Foto 1: O 1º Cabo de Transmissões Pedrosa, jaz no chão, atingido por um tiro numa emboscada desencadeada pela FRELIMO muito próximo do Aquartelamento de Nangade. Em primeiro plano vê-se o 1º Cabo Condutor Victor, da Companhia de Caçadores 3309 (a olhar para o fotógrafo, e que viria a falecer em combate dois meses depois) que se ofereceu para transportar um pequeno Grupo de Combate vindo de Nangade e que de imediato foi destacado para o local da emboscada, onde o corpo do Pedrosa ainda não tinha sido evacuado. Foto tirada algures na picada entre Nangade e Pundanhar, em 14 de Maio de 1971.

Foto 2: O 1º Cabo Transmissões Pedrosa, da CCS do BART. 2918 em Nangade, dias antes de falecer em combate. Nangade, Abril de 1971.

Foto 3: O Soldado Transmissões Carmindo Martins, da CCS do BART. 2918 (autor do texto) junto de crianças da etnia Macua. Nangade 1971

Foto 4: Carmindo Martins junto da família. 2010.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Parto de Abril (poema)


Foto: Tirada junto ao Teatro Trindade (Lisboa) no dia 26 de Abril de 1974. Foto do meu amigo Guilherme Silva.
Poema: Da colectânea de poemas "uma parte de mim", página 14. Carlos Vardasca. Alhos Vedros, 1989.

domingo, 24 de abril de 2011

Onde está Abril?

Andamos a ver se vemos

O caminho a percorrer

Entre o Abril que fizemos

E o que ficou por fazer


Nota: Quadra de um poema de José Fanha

domingo, 20 de março de 2011

XXI Encontro Nacional da Companhia de Caçadores 3309 (Fotos)

Adega do Caldas Internacional Hotel. Caldas da Rainha, 05 de Março de 2011.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Almoço de Confraternização do ex- militares pertencentes ao Batalhão de Caçadores 3834

Ficam convocados todos os que estiveram ligados à acção do Batalhão de Caçadores 3834 no Norte de Moçambique, em 1971/73, para comparecerem no dia 02 de ABRIL de 2011, no Restaurante Buffet SALÃO MILÉNIO, no Caldas Internacional Hotel, nas Caldas da Rainha, Rua Dr. Artur Figueirôa Rêgo , nº 45 - Telefone 262 838 157
Coordenadas para GPS: 39º24’49.91”N e 9º08’03.39”W
Vindo de Norte, pela A8, saída nº 20 para “TORNADA”,
1ª rotunda à esquerda, mais 2 em frente e fica à direita, antes da rotunda do MacDonald;
Vindo de Sul, pela A8, saída nº 19 para “Zona Industrial”, 1ª rotunda em frente, rotunda da “Expoeste” vira à esquerda, mais 2 em frente e na seguinte (rotunda do MacDonald) à esquerda, o restaurante fica à esquerda.
De Lisboa estamos a organizar um autocarro com partida da Estação do Oriente.
Programa
11,00H – Concentração junto ao Restaurante – há estacionamento
Estava prevista missa, mas não vai ser possível, por indisponibilidade do nosso Capelão
13,00H – Almoço
Preço por pessoa: € 22,00.

Confirmação obrigatória até 21 de Março
Atenção: não é possível garantir almoço sem marcação.
Para: Victor Vieira, telemóvel 96 602 84 68
Albuquerque Dias - 917245685
e-mail:
furvieira3310@gmail.com
albuquerquedias@gmail.com

Ementa base:
APERITIVOS E ENTRADAS :
* Salgadinhos
* Salada de orelha e atum
* Morcela assada / chouriço assado
* Pão e azeitonas
* Sumos tropicais / martinis / favaios
PRATOS QUENTES (servidos):
- Sopa da pedra
- Bacalhau assado com migas
- Arroz de pato
SOBREMESA:
* Doce ou salada de frutas
BEBIDAS :
* Vinho branco, tinto e verde (da casa)
* Cerveja, sumos, águas minerais
* Café e digestivo
Há alojamento no Hotel:
Tarifas de alojamento ( especial eventos )
Single ------------- 40.00 €
Duplo ------------- 50.00 €
Cama extra ------ 15.00 €

Com pequeno-almoço incluído
Foto: Brasão do Batalhão de Caçadores 3834 efectuado em mármore de Vila Viçosa, e que me foi oferecido pelo Joaquim António Aleixo Lobo (ao qual lhe fiquei extremamente agradecido) no XXI Encontro Nacional da Companhia de Caçadores 3009, realizado na Caldas da Rainha no passado dia 05 de Março de 2011.

domingo, 6 de março de 2011

Sobre a Pensão atribuída aos sobreviventes da Guerra Colonial. Artigo de António Leitão

“PUDEIS BATER-NOS, MAS NAO ABATER-NOS, OU DESONRAR-NOS
( Léon Gambetta)

Pátria

Recordo aqueles Invernos distantes durante os quais eu passava as horas livres à fisgada aos pardais, talvez por essa razão, logo que atingi a maioridade, deste-me uma linda espingarda. Constatando porem, que tinha pouca pontaria, enviaste-me para Angola, e é verdade que lá os “pardais” eram enormes, mas não havia nada a fazer; eu não lhes acertava; quando eles voavam nas alturas, eu enviava-lhes umas chumbadas, mas eles fintavam-me e eu pobrezito, regressava a “casa” sem um mísero pássaro à cinta. Decididamente, não tinha vocação para caçador; devias ter-me confiscado a arma; e aqueles “cartuchos” que desperdicei, queres que te reembolse?
Como eu era adepto do Sporting, deste-me lindas roupas verdes; não era o nosso verde preferido, mas a intenção era louvável, pena foi que os adeptos das outras equipas não fossem contemplados; eu pedir-lhes-ei desculpa quando os encontrar.
A fim de que tirássemos o máximo proveito da nossa estadia naquela terra Africana, organizavas grandes excursões, e aos solavancos, lá íamos ao longe mas como o sol tropical nos “amolatava” a epiderme, autênticos túneis foram abertos na densidade da selva, e montados nos “nossos” MERCEDES-BENZ, íamos floresta dentro “saborear” toda a beleza e frescura da exuberante flora Angolana, sem esquecer o espectáculo proporcionado pelos macaquinhos saltando de uma para outra árvore. Convenhamos que os nossos Mercedes não tinham as mesmas características dos outros: na ausência de ar condicionado, foram-lhes retirados o telhado, as portas e as janelas; como o condutor podia parar sem avisar, também as sebes da carroçaria foram eliminadas a fim de podermos descer à vontade. Corríamos o risco de dar umas cambalhotas, mas como andávamos à boleia, não podíamos exigir muito.
Podia acontecer que os “passeios” se realizassem a pé, mas quando o cansaço se fazia sentir, podíamos poisar pé, ante pé, calmamente, não fossemos nos esmagar os caracóis, ou assustar os passarinhos. Para que o “passeio” se prolongasse no tempo, havia também parques de campismo, tudo isto grátis, evidentemente: cama, mesa e roupa suja. Acontecia cortarmos uns punhados de erva e enrolados como porquinhos, dormíamos por baixo, e deste modo a paisagem não era desfigurada.
Recompensa suprema, reservas-me para quando, ou se eu chegar a idade da reforma, um prémio que pode atingir a soma de... CENTO E DEZANOVE EUROS!
Eu compreendo a intenção, “pátria”: Vai e compra um quilo de maças. Lembras-te de que na guerra raramente te davam fruta?! Aproveita agora que são baratas; compra das mais pequeninas, a fim de darem para a semana toda. Lembras-te que também não te davam vinho?! Compra também um quartilho, mas não gastes o dinheiro todo. E queres que te peguemos na mão?
Tira a mão da farda! Tira a mão da minha roupa, fardas chegou-me três anos.
Olha, escuta: confiscaste-me os meus melhores três anos; diz-me por favor o que posso confiscar-te.

António Sequeira Leitão
CCS do Batalhão de Caçadores 3869
Ambrizete, São Salvador do Zaire e Pereira D’Eça (Ongiva)
Angola 1972-1974

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

XXI Encontro Nacional. 38º Aniversário da Companhia de Caçadores 3309

É já no próximo dia 05 de Março de 2011, que se vai realizar o XXI Encontro Nacional da Companhia de Caçadores 3309, na cidade de Caldas da Rainha, na Adega, junto ao Salão Milénio do Caldas Internacional Hotel.
Por ser mais uma oportunidade para nos revermos, seria interessante que todos os ex-militares da C.CAÇ. 3309 se fizessem representar na companhia dos seus familiares e amigos, na certeza de que irão passar um excelente dia de festa, bastante agradável, onde a alegria e o convívio andarão de braço dado com a animação, à mistura com o fortalecimento da amizade fraterna que nos une, forjada na partilha dos momentos vividos naquele conflito colonial de má memória.
Para saberes em pormenor o programa do evento; a sua localização e como lá chegar, clica em cima dos documentos para os poderes visualizar.
Comparece. Faz a tua marcação até ao dia 01 de Março, pois a tua presença é sempre bem-vinda.

Carlos Vardasca
23 de Fevereiro de 2011